20.7.10
O imaginário poseidon e sua destreza
28.3.10
2.2.10
1º
Sobre o ferro
Anel que envolve o esqueleto
Diminuo, marcha lenta
Longe
pequeno
Pra você
Este acanhado sentimento
beijo
5.7.09
7.5.09
PRIMEIRA PARTE
A hipótese e o objetivo
Como um conjunto de aulas teóricas poderia ser útil em minha monografia? O tema se aproxima tanto da prática que por vezes parece complicado. O traço superficial e ainda rasteiro de uma idéia mais profunda poderia, nesse contexto, se firmar “realmente” na feitura, na prática em si.
Como sustentar através de “arcabouços teóricos” aquilo que só se entende, se realiza, em sua plenitude: fazendo-se. Os campos de estudo sugerem a prática, o aprendizado no local, “ON-BY-JOB”, indicando assim que toda a estrutura do ensino e da teoria deveria ser a prática.
Mas a teoria existe e não é a prática. Engraçado notar a trajetória meteórica da teoria sobre esse tema, facilmente ela se esvai e cede espaço ao instinto. Por vezes nem se quer “da às caras”. Assume-se o ofício e pronto, já o é.
Não que a teoria seja fraca ou falha. Ela é rápida e decisiva e ponto. Dura pouco, mas incrusta naquele que a tentou entender um primeiro e primordial grão, o grão primigerador de Guimarães Rosa. O subconsciente do prático está afetado e proverá de uma maneira secreta todo o instinto do indivíduo. Esse é o lugar da teoria, acredito eu, nos ofícios mais práticos: o seu pantheon.
Escrevo isso porque acredito ser importante esclarecer a relação entre a teoria e a prática no que diz respeito ao meu objeto específico: a cinematografia norte-americana, sua criação, seu conceito e sua aplicação.
Tentarei entender autores como Stephen H. Burum, ASC que editou o livro Selected Tables, Charts and Formulas for the Student Cinematographer, David E. Elkins, SOC que escreveu o livro The Camera Assistant’s Manual, Douglas C. Hart com The Camera Assistant’s Manual A Complete Professional Handbook, Barry Green, Harry C. Box com Set Lighting Technician’s Handbook e, a grande enciclopédia do cinematografista, o American Cinematographer Manual.
Dedicarei um bom tempo de minha vida a entender como funciona, como se estrutura e como se pensa na Sociedade Americana de Cinematografistas (American Society of Cinematographers). Analisarei suas relações com os membros da equipe e com os membros fora da equipe. Procurarei entender o que John Hora, ASC assim definiu:
Cinematography is a creative and interpretative process that culminates in the authorship of an original work of art rather than the simple recording of a physical event
27.1.09
Poesia do regresso
Feroz ascendente circular
Anseio sorrateiro
Beijo sob a pele do raio de sol
Risada
Do jeito que eu sou
Sobre as penas avulsas de uma pavãozinho
E entre teus dedos de caipirinha
Sussurro
Agüento o lirve e macio concreto da estrutura
Sólido me sustento
Azul
13.5.07
Novas poesias
Dia desses fiz amizade com um pequeno cachorro.
Preto.
As vestes velhas e bem passadas abrigavam olhos de fragilidade. Larguei de mim toda a vaidade e passei a viver com o cão. Aprendi a baixar a cabeça, respirar e pensar. E, claro, a latir.
8.5.07
Conto antigo
José, a moça e Ele.
Num engodo, daqueles que lhe tiram o ar, José, nome vindo do pai, sacou a arma branca e cortou o pescoço.Os olhos abertos, satisfeitos ou não, anunciavam o medo da moça.O fato é que José não conteve a ira que nascia, rebentava pela superfície e lhe fazia sentir dores no peito.Foi isso, sacou a faquinha de comer e rasgou o cachaço.Agora não diz besteira.Ficou calado. O corpo de um lado e a cabeça ali, no chão de granito, no pátio do play, ao vento sereno da noite, na beira estreita do que foi e do que já não é mais.
O cigarro veio depois, amassado. O isqueiro no bolso rasgado saltou num instante.Fogo.Um trago profundo e ânsia.Veio a moça, desajeitada e gorda que era, não fazia menos que gritar.Batia também, mas José nem sentia.Então se tinha: a faca de comer, em sangue; José e cigarro; a moça e seu jeito; O defunto, repartido.O sangue secava e já fazia parte do chão, seu amigo conhecido, um lar.As cadeiras e mesas não se moveram, por isso não contam de nada.As paredes, como não ouvem, a despeito de quem ache o contrário, pareciam imóveis e insensíveis como antes.A noite escura não mudou de cor.O sol, só amanha.Restava mesmo, de imediato: a moça, José e o defunto em duas partes assimétricas.
Silêncio.A moça não grita, não bate mais.Está exausta.José não fala, nem nunca falou. É homem quieto, de poucas e raras palavras.O som que chegava da rua parecia mais nítido, confortável.Um misto de carros a passar, buzinas e só, pouco pleno.Na verdade era um carro ou outro, de vez em quando.Uma buzina, no máximo. Eis o novo formato: o novo-defunto no chão, a moça de joelhos e José, sentado. José sabia ser ele o arranjador daquele novo aspecto de vida.Pensava sereno no conteúdo da cena que lhe invadia os olhos. É certo que pensava, pois não haveria de ser de outra maneira. José sempre pensou.Pensava, pensava, pensava. Afinal era um pensador de profissão, filósofo.
Foi só.A polícia chegou.José foi pro xadrez.O defunto, junto de cada parte sua, foi pra debaixo do chão.A moça, bem, a moça saiu correndo e se jogou contra o ônibus da prefeitura, desses que transportam velhinhos.Quebrou as duas pernas e a bacia. Hoje mora no hospício regional. Cercada de flores que ela mesma planta. Cercada de gente que desconhece. Cercada de um José que corta o outro e de um Ele que não vale a pena lembrar para evitar maiores aborrecimentos.
27.4.07
7.2.07
Sobre Litte Miss Sunshine
Esse passou diferente, com indicação ao Oscar e muitos pré-conceitos.
Pareceu bem, saciou.
8.11.06
Às palavras minguadas
6.10.06
Macumba
Digo já que K. não chega aos pés
Alguma coisa a dizer?
Me dá um beijo
Me vende um beijo
Porque não roubo, acho bruto
Papel no mar com inscrição de amor
Logo tudo vai se resolver
"Comboio de cordas" não sei se aguento
Rasgo sinal em palavras soltas, como já foi dito
E quem espera essa droga de fingir?
Essa bosta fugidia e afiada
Tudo porque dias desses perdi em fracasso
"Sur" explicaria: sorria!
Mas não
Não é assim
Presta atenção, olha pra mim
Satélite de promessas como Cazuza
E escrever é bom como o de cima
De costas pro mundo, açoite fiel
Sentimento
Saravá
5.9.06
Espelho
Entalado no peito
Que merda!
Esse sexo em chupadas...
Quero o novo, o acesso mais simples...
E se as bocas não forem mais as mesmas, suporto!
Me viro de lado, me viro de mim mesmo
Mudo. À tapas, mas mudo.
Passo por cima
Atropelo com carinho
Pra quem sabe depois
Depois...
Morrer o amor, como num "seja como for" de Drummond.
Que é mais sabido do que eu.
4.9.06
Resultado de um mergulho um pouco mais profundo e ainda sem regresso.
Zé Celso bebia seu vinho "comuna", pacífico e distante
Foi então que ela veio...
Fechou as cortinas.
Bem, fiquei sabendo que o tempo se esgotara.
Virei, saí distinto, num trabalho de roda sem igual!
Desci, virei ,andei reto...
Depois descobri:
Não passava de um tempo que foi
Daí então pensei...
E se ele não tocasse!
Não fosse tão besta!
Sabe, como um pedaço de mim que não sai, diabo!
Quem gostaria mais de mim?
Piu piu.
30.7.06
Devaneios
Sintonia pavorosa de luz e gente
Mar
Leal asfalto
Conduções, tremeluz ascendente
Veloz
Beijo vazio
Toque carinho, amor
Vida
Ela, só
Cálido pedido
Rio Amazonas lá vou eu